quinta-feira, 12 de novembro de 2009

"FORAGIDOS"

Queridos...Saudade!!

Depois de muito tempo de pernas para cima, volto cheia de alegria...meu pc estava quebrado, só agora o dito cujo voltou do conserto e eu posso interagir de novo ... agora posso voltar a contar a história que nunca acabo...
Apesar das probabilidades; tô viva e apesar da caminhada confusa; o amor continua me salvando de mim mesma todos os dias!!
Nessa quinta o melhor é ouvir música de primeira!


Pra todos um beijo, um queijo, e a alegria de realizar todos os desejos!!
Namastê!

sábado, 13 de junho de 2009

"FORAGIDOS"


Sabado frio, mas com um sol... que clareia e aquece...Tenho produzido muito... mas não tenho postado quase nada; encontrei um amor novo...Twitter...ele tem me exigido constância e atenção; é ciumento e ágil...paixão instantânea...eu que levei anos sem poder interagir de forma tão ampla e rápida, estou encantada com com a possibilidade de absorver conhecimentos de todo o canto do mundo...
À todos um Sabado iluminado, aquecido pelo calor solar, que é acolhedor e curativo!!

"Sem música, a vida seria um erro" Friedrich Nietzsche



"O Blues nunca mente, atinge a alma como uma faca afiada. Dói no início, machuca na saída, mas você vicia na dor e pede mais!!"
FelipeVoigt

Namastê!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

"FORAGIDOS"


Chove... e a chuva lava a rua, prepara a terra, renova a vida!!
Chove... a casa está aquecida, a família está por perto...e no meu peito a esperança teimosamente insiste em permanecer, falando baixo, num sussurro; que espere um pouquinho, que permaneça na fé, abraçando a família que o socorro virá!!
Chove... e como lágrimas a chuva lava a alma dos que acreditam...
Fecho os olhos e a recebo no rosto como certeza de um futuro feliz!!
FELIZ DIA DOS NAMORADOS!!!!!!



Fanatismo

Florbela Espanca

"Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !


Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !


E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."

# # #

Amar!

Florbela Espanca

"Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!


Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!


Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!


E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar..."

Namastê!

sábado, 16 de maio de 2009

"FORAGIDOS"


MARIA AUGUSTA CARNEIRO, GUTA; PARA MIM SEU NOME SEMPRE FOI ESPERANÇA!
Uma doce emoção toma meu peito, uma mistura de saudade e orgulho por ter te conhecido, por ter podido partilhar pequenas esperanças com você.
Você sempre foi SOLIDARIEDADE, Amizade, Afeto, Cuidado, Coragem, Resistência, Esperança, Honradez, e principalmente Mãe.
Siga em paz, e contigo leve meu respeito, minha amizade e meu eterno carinho; fico feliz por ter conhecido um ser humano tão especial e humilde como você.
A militância pelos Direitos Humanos ficará mais pobre sem a sua presença doce e digna, que balizava ações éticas e justas para proteger a cidadania daqueles que foram colocados à margem do caminho.
GUTA; TE AMAMOS!!
Essa é para tu ouvir, onde tu estiver!



O Que Foi Feito Devera
Milton Nascimento / Fernando Brant / Márcio Borges

"O que foi feito amigo
De tudo que a gente sonhou?
O que foi feito da vida?
O que foi do amor?

Quisera encontrar
Aquele verso menino que escrevi
Há tantos anos atrás

Falo assim sem saudade
Falo assim por saber
Se muito vale o já feito
Mais vale o que será

E o que foi feito é preciso conhecer
Para melhor prosseguir

Falo assim sem tristeza
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que nós iremos crescer

Outros outubros viram
Outras manhãs plenas de sol e de luz."

Saudade!
Vai amiga, vire anjo e nos conduza!

Namastê!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

"FORAGIDOS"


Mais um dia de sol, daqueles que lembram a infância, o cheiro de mar, dia de claridade e luz.
Tempo claro que nos faz sentir aquecidos, que nos dá energia, que nos impele para vida, que nos guia como viajantes que somos sem dia ou hora certa de aportar. Até agora todos os portos continuam fechados para nós, um "cordon sanitaire" nos mantém afastados da vida, da energia, da alegria de compartilhar com o mundo; o farol e o porto ainda é só miragem, mas a claridade antes difusa agora se alegra e se mostra mais nítida, fazendo-nos sonhar com caminhos mais claros e navegar por águas mais tranquilas.
A vida de foragido é tensa e estressante, a espera por uma definição de rumos faz a adrenalina ser constante, mas continuo acreditando, tendo fé, que no final, a nau perdida alcançará seu porto e a família poderá enfim compartilhar com os amigos a alegria de viver em liberdade.
Viva 13 de Maio!!!
E salve os Poetas Brasileiros!

Heróis da Liberdade
Silas de Oliveira/ Mano Décio da Viola/ Manoel Ferreira


"Passava noite, vinha dia
O sangue do negro corria
Dia a dia
De lamento em lamento
De agonia em agonia
Ele pedia o fim da tirania
Lá em Vila Rica
Junto ao largo da Bica
Local da opressão
A fiel maçonaria, com sabedoria
Deu sua decisão
Com flores e alegria
Veio a abolição
A independência
Laureando o seu brasão
Ao longe soldados e tambores
Alunos e professores
Acompanhados de clarim
Cantavam assim
Já raiou a liberdade
A liberdade já raiou
Essa brisa que a juventude afaga
Essa chama
Que o ódio não apaga pelo universo
É a evolução em sua legítima razão
Samba, ó samba
Tem a sua primazia
Em gozar de felicidade
Samba, meu samba
Presta esta homenagem
Aos heróis da liberdade
Ô, ô, ô, ô Liberdade senhor!"

E ainda sem retomar a história que comecei contar...
Poesia e Poetas... Portugueses.

A Geração Nova
Sampaio Bruno
(Trecho final)

"Vamos: sacudi-vos, reanimai-vos; espertai esse sangue; abri essa alma; bebei o ar divino; vivei! Não vos arreceeis do futuro; e, por ele, tende confiança em vós, que de anões que sois, vos tornareis gigantes; sob os pulmões tísicos de agora, se vos afigurará leve aço glorioso de que se vestem os heróis. Inpirai-vos dos vossos antepassados; recordai que o mugente infinito Oceano, que o mytho povoará de mostros, pelo terror denominado o mar tenebroso, nas suas águas benditas os levou à sagrada terra-mãe da raça, onde o homem aprendeu, nas estrelas do céu, nas tintas das flores, a soletrar o ideal, espiando-o na miríade das formas germinadoras.
Com eles eia,eia! Saltai para dentro da nau impaciente. Já o vento enfuna as velas; a vaga espadana, espumando, ciosa de se submeter.
Levantai o ferro; ao largo; entregues a Deus, parti intemeratos, a alegria nos lábios, que convosco em boa hora vá singrando a fortuna da pátria! Levantai o ferro, desfraldai o pavilhão no topo do mastro grande, coragem! Ao largo, ao largo, parti."

***
Uns Versos Quaisquer
Fernando Pessoa


"Vive um momento com saudade dele
Já ao vivê-lo . . .
Barcas vazias, sempre nos impele
Como a um solto cabelo
Um vento para longe, e não sabemos,
Ao viver, que sentimos ou queremos . . .

Demo-nos pois a consciência disto
Como de um lago
Posto em paisagens de torpor mortiço
Sob um céu ermo e vago,
E que nossa consciência de nós seja
Uma cousa que nada já deseja . . .

Assim idênticos à hora toda
Em seu pleno sabor,
Nossa vida será nossa anteboda:
Não nós, mas uma cor,
Um perfume, um meneio de arvoredo,
E a morte não virá nem tarde ou cedo . . .

Porque o que importa é que já nada importe . . .
Nada nos vale
Que se debruce sobre nós a Sorte,
Ou, tênue e longe, cale
Seus gestos . . . Tudo é o mesmo . . . Eis o momento . . .
Sejamo-lo . . . Pra quê o pensamento? . . ."

***
"O absoluto é dos poetas e o relativo da ciência. O sábio observa, analisa, decompõe; o filósofo generaliza, dá conjunto; o poeta dá o significado anímico das coisas, a sua própria natureza."
O Homem Universal
Teixeira Pascoaes


Namastê!

terça-feira, 12 de maio de 2009

"FORAGIDOS"


Venho escrevendo como se estivesse escrevendo em um caderno de anotações, em um moleskine, sem a percepção que outras pessoas lêem o que escrevo.
Não sou blogueira, só passo o tempo arrumando palavras e fotos para que o tempo seja utilmente preenchido, por isso ainda não tinha me dado conta, das pequenas grandes regras de quem escreve; perdoem-me.
Tem um poeta de quem gosto, o Reinaldo Luciano; ele possui o blog CARDIOPOÉTICA, a quem devo desculpas, companheiro já coloquei as "aspas"; gosto muito sim da sua poesia, por isso vou colocá-la no meu blog, só que agora declamada por Érico Brás (ator).



AO SILÊNCIO
Reinaldo Luciano

"Não quero o silêncio culto e tácito
Das bocas caladas pelo medo;
Não quero ouvir os que choram
E os que lamentam em segredo...

Não quero minha voz embargada
Pela pressão silenciosa
Da solidão que não diz nada
E da razão que se faz muda...

Eu quero o mundo em polvorosa;
Quero a canção, quero o sorriso...
Quero gritar, se for preciso...

Não quero o silêncio assim imposto
Como um tapa que arde no meu rosto!

Eu quero o silêncio sim, mas quero ainda
Poder falar tudo o que sinta;
Poder sentir tudo o que fale...
Eu quero decidir quando me cale!

Não quero a minha voz presa no peito
Enquanto o mundo grita ao meu redor!

Eu quero decidir; é meu direito
E não lutar por ele é omissão!
Silêncio! Não consigo ouvir direito!
Há um barulho estranho no meu peito
E não parece ser meu coração!"

***

É estranho saber que me lêem e que estou interagindo com alguém diferente após tanto tempo...
Sem mais e ainda com dor...

Namastê!

"FORAGIDOS"


Nada tenho postado... Dor no nervo ciático.
A coluna está desconjuntada; dor do caçete, não dá para pensar...
Fui ao médico, agora será preciso me locomover, andar, chutar o sedentarismo, colocar a cabeça para fora e observar o mundo de perto; meu corpo começa a exigir movimento...
Como ainda não posso ficar muito tempo na mesma posição, então é conversa rápida, por isso é um oi e um tchau.
Vi um texto muito interessante na internet; de um rapaz em uma comunidade do Orkut (Avião também tem pneu), sobre "as mulheres mais cheias", vale a pena lê-lo; depois disso tenho mais é que ficar legal!!.

"Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.
Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra... está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros - é uma questão de proporções, não de medidas.
As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas...
Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As magrinhas que desfilam nas passarelas,seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem,são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.
Não há beleza mais irresistível na mulher do que a feminilidade e a doçura. A elegância e o bom trato, são equivalentes a mil viagras.
A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa. Os cabelos, quanto mais tratados,melhor.
As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas.. Porque razão as cobrem com calças longas? Para que as confundam conosco? Uma onda é uma onda, as cadeiras são cadeiras e pronto. Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas, é como ter o melhor sofá embalado no sótão.
É essa a lei da natureza... que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranqüila e cheia de saúde.
Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós e não a vocês. porque, nunca terão uma referência objetiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda.
As jovens são lindas... mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes.
Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico anado. O corpo muda... cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.
Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (não se saboteia e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.
Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol' nem em spa... viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.
Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!
A beleza é tudo isto."


Namastê!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

"FORAGIDOS"


As vezes me sinto num cinturão de quarentena, um "cordon sanitaire", rodeada de uma indesejabilidade quase palpável.
A vida tem me oferecido muito motivos para duvidar do futuro, mas continuo tentando perceber a claridade difusa da esperança que a fé me permite ver.
Viver em contínua sensação persecutória é extresse puro, viver esperando o que não se sabe o que; é punk, mas tem forjado em nós uma certeza inabalável no que sentimos.
É amigos, falei uma grande bobagem, amar seja lá quem for é sempre uma tarefa prazeirosamente difícil, é sempre um salto no abismo, uma vertigem inimaginável.
Não importa se certinho ou não, qualquer um sofre uma transformação positiva quando é amado, o amor cura.
Amar é apostar no outro, é perceber-se bem ao seu redor...
Enquanto a inspiração luta bravamente contra o tédio... sigo lendo poesia... de Silvia Chueire, de Yeats e Sylvia Plath, ouvindo Adriana cantar...



A PALAVRA
Silvia Chueire

"a palavra em ângulo agudo
risco no ar
adaga
a descer sobre o homem

ferida à flor dos olhos.
voz letra
música
a palavra inevitável

II

a palavra a dizer(-se)
de algum lugar
ave a subir nas minhas mãos
a voar delas"


MAR

"cola a tua boca
no mar que sou
o sal e as ondas
derramadas.

ouves o marulhar
na respiração ritmada
que cresce
e desliza na praia?

às vezes é tudo tão azul
que ofusca."

QUEREIS MUITO

"quereis a palavra certa
na hora certa.
não apenas o metro correto,
a frase bem feita.
quereis o sangue,
a alma do poeta,
a vida curta a galopar
gargantas

— como se não custasse esforço
fingir que fingimos —

quereis a vida,
a árvore da vida.
não apenas o trajeto reto,
geometria exata.
quereis elipses, parábolas,
o sabor mais íntimo
a perpassar vocábulos.

— como se cada letra
não fosse gota derramada —

quereis o que não sei
se posso dar.
o segredo do olhar,
o frio que me corta a pele
antes que a palavra
se esfacele e arda
na fina folha
de cada momento.

— como se cada volta da caneta
não fosse hesitação —

quereis muito, senhores,
muito.
mais do que pode
a mão que escreve o poema.
mais do que pode
um simples coração."



O PRAZER DO DIFÍCIL
William Butler Yeats
Tradução: Augusto de Campos

"O prazer do difícil tem secado
A seiva em minhas veias. A alegria
Espontânea se foi. O fogo esfria
No coração. Algo mantém cerceado
Meu potro, como se o divino passo
Já não lembrasse o Olimpo, a asa, o espaço,
Sob o chicote, trêmulo, prostrado,
E carregasse pedras. Diabos levem
As peças de teatro que se escrevem
Com cinqüenta montagens e cenários,
O mundo de patifes e de otários,
E a guerra cotidiana com seu gado,
Afazer de teatro, afã de gente,
Juro que antes que a aurora se apresente
Eu descubro a cancela e abro o cadeado."



ESPELHO
Sylvia Plath

"Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo no mesmo momento
Do jeito que é, sem manchas de amor ou desprezo.
Não sou cruel, apenas verdadeiro —
O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.
O tempo todo medito do outro lado da parede.
Cor-de-rosa, malhada. Há tanto tempo olho para ele
Que acho que faz parte do meu coração. Mas ele
falha.
Escuridão e faces nos separam mais e mais.

Sou um lago, agora. Uma mulher se debruça
sobre mim,
Buscando em minhas margens sua imagem
verdadeira.
Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e a reflito fielmente.
Me retribui com lágrimas e acenos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã seu rosto repõe a escuridão.
Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha
Emerge em sua direção, dia a dia, como um
peixe terrível."

Namastê!

terça-feira, 28 de abril de 2009

"FORAGIDOS"


Flores, cores, sons...
Carly Simon, bons tempos, boas memórias...
E continuo seguindo tentando colá-las...

Mais um dia de sol...
E tudo está ainda para acontecer...
A felicidade plena, real ainda está por vir...
Tem sido assim há muito tempo, uma vida adiada, protelada.
Nunca antes tinha percebido a densidade do tempo, o seu peso, a pressão do vácuo do nada que é a espera, a opacidade dos dias que passam pela janela como um filme do qual somos apenas espectadores. E fico tentando enxertá-lo com coisas positivas, agradáveis, para que as vibrações sejam de harmonia.
Leio, leio, leio muito, cozinho e tenho aprendido coisas deliciosas; quase não saio, nunca soube “chutar lata”, andar sem rumo, andar por andar, sempre saí com destino certo, sempre tive uma direção, e ainda não aprendi só olhar o horizonte e ir, então sento e leio e com isso ando, corro, pulo, viajo, nas folhas impressas que tanto amo. Mas a Vida tem me chamado par andar com ela, me divertir ao seu lado; tem me sussurrado que não devo levá-la tão a sério, que é multifacetada e colorida, e às vezes um tanto quanto “purpurinada”, e que não devo olhá-la só pela lente do preto e branco; ela fala baixinho para eu ter esperança, para cofiar nela e no seu amigo Tempo, diz que apesar de eu vê-lo opaco e denso ele é belo e sábio; ela me acena com a possibilidade de confraternizar com os amigos, de dividir carinho, de pedir perdão.
Fico pensando como outras mulheres como eu estão reagindo agora, como encaram a vida enquanto estão no olho do furacão, como se sentem enquanto a vida passa, enquanto observam o tempo.
Será que reagem de forma menos tensa, será que conseguem viver com alguma leveza?
Quantas somos?
Quantas vivem assim esperando que as pessoas que estão em nossa volta perceba a nossa invisibilidade, que nos conceda uma chance de fazer diferente, de fazer a diferença.
Sei que fiz a diferença na vida do homem que escolhi para envelhecer, sei que trouxe esperança, alegria e principalmente amor, esse sentimento milagroso que nos tem conduzido vida afora e sei também que muitas outras mulheres desempenham esse papel na vida dos seus companheiros.
Sei que o ajudei a compreender o seu lugar na família, na vida e na sociedade, sei que ofereci meu ombro, meu colo, minha amizade, minha solidariedade, minha lealdade, para que ele pudesse se perceber possível, viável, merecedor da vida.
Nem todas as mulheres torcem para que seus maridos se especializem na arte da 'gatunagem', muitas estão sim exercendo o papel de ‘resgatadoras’, as duras penas, na maioria das vezes isoladas, torcendo para que a vida lhes dê uma chance e tudo volte ao normal.
De onde estou vejo o céu, limpo, claro, simplesmente azul, há flores na minha janela, coloridas, e dançam ao sabor do vento outonal...
Da minha janela vejo mulheres trabalhando, concentradas sobre máquinas de costura e me pergunto; será que alguma delas, depois de uma semana estafante de trabalho, terá que ficar nua em uma sala infecta de algum presídio, abaixar três vezes e soprar a mão fechada para que uma outra mulher veja se cai alguma coisa da sua vagina?
É meus amigos, amar o ‘certinho’, é fácil, difícil é entrar na vida de um homem infrator e fazê-lo perceber o quanto ele é importante para você e para ele mesmo, e o quanto é possível construir mesmo em base muitas vezes instável, uma vida digna.
Me sinto vitoriosa por tê-lo, por sabê-lo meu parceiro, pai dos meus filhos, meu amigo, meu companheiro e no final das contas, apesar de tudo, sou feliz!
O amor continua nos conduzindo vida afora.

Namastê!

domingo, 26 de abril de 2009

"FORAGIDOS"


Domingo de sol...
Que a semana seja porreta, que nos traga alegrias desmedidas.
Mas enquanto a liberdade não vem...
Segue mais um texto de 2004.

TRABALHO E PRISÃO

“Uma reflexão sobre a pena, ou seja, sobre o papel e os
limites da sanção penal, especificamente da pena carcerária
em uma sociedade democrática, exige uma avaliação inicial
sobre o que se deve entender por sociedade democrática.”
Luigi Ferrajoli.


O trabalho de resgate do cidadão encarcerado pressupõe a capacidade da psicologia, da sociologia, da assistência social, etc, de transformar a personalidade do preso, mediante trabalhos técnicos e educativos, realizados no interior da prisão.
Sabemos do fracasso do projeto técnico-corretivo e da reiterada proposição do mesmo projeto fracassado, mas acreditamos na capacidade de mudança e na persistência daqueles que estão comprometidos com o resgate dos cidadãos presos.
Trabalhar com as questões subjetivas da prisão é um grande nó a ser desatado. As relações no mundo marginal tanto quanto a sociedade sofreram mudanças ao longo dos anos, as ações marginais sofreram alterações na sua forma, na sua prática e no perfil do autor da ação.
Essas ações tiveram transformações básicas e visíveis nas últimas quatro décadas, com movimentos horizontais e verticais.
Nas décadas de sessenta e setenta as ações marginais tinham um movimento horizontal, possuíam o perfil de ação grupal, era um “crime associativo”, praticado por adultos que dividiam o lucro de forma igualitária; “eram sócios”.
A partir da década de oitenta com a comercialização visível das drogas, as relações interpessoais mudaram e as ações verticalizaram-se, tornaram-se de cunho capitalista, onde o comércio ilegal gerou postos de trabalho, hierarquia e lucro, mudando o seu perfil e a característica do autor que agora é jovem.
Nesta perspectiva se faz necessário observar esse novo ator e adaptar novas metodologias para trabalhar com esse público jovem, consumidor, imediatista; como todo jovem, e que por ser na maioria oriundos dos cinturões de pobreza do estado ou dos morros e favelas da cidade, vêem no comércio ilegal ou em outras atividades marginais, um meio rápido de resolução da sua invisibilidade social; sem falar dos jovens da classe média que também começam a conhecer os cárceres do mundo globalizado.
A sensação de supremo poder é característica do jovem, junte-se a isso uma arma; que nada mais é do que um símbolo fálico, o poder que exerce na sua comunidade, o fascínio que exerce sobre as jovens e a adrenalina dos dias viris de perseguição, para termos um quadro extremamente desagregador e explosivo. O jovem envolvido na marginalidade atinge hoje, com a idade muito tenra um patamar social dentro da sua comunidade que, um homem só alcança quando atinge a maturidade profissional.
Aos jovens é oferecido uma “pseudo” estabilidade financeira, o respeito/medo da comunidade, e uma enorme profusão de parceiras; status este, que só o poder oferece, mas não possui maturidade emocional para administrar esses avanços de etapas; não há planos, não há sonhos, não há futuro, tudo é imediato, tudo é urgente e fatalmente finito.
Esse jovem infrator que está permeado no tecido social, só é detectado para fins correcionais; não há um investimento no futuro, na perenidade do bem através do resgate dos indivíduos.
Trabalhar a recondução do preso através de atividades laborativas e educacionais, deveria ser o objetivo principal da execução da pena; capacitar o indivíduo para o trabalho é o caminho de integração do egresso com a sociedade. A absorção de conhecimento é ferramenta fundamental para o retorno do homem ao convívio social; é oferecer instrumentos capazes de garantir que ele possa ter escolhas não danosas a si, a sua família e a sociedade em que ele vive.
A porta de entrada do sistema; unidade que recebe todos, para posteriormente distribuí-los pelas outras unidades; é a vertente que detecta e situa o preso dentro do novo contexto; preso esse, que deveria ser distribuído conforme, à tipificação do seu delito, de suas características educacionais, da sua capacidade laborativa, além de tantos outros critérios que se fizessem necessários para que se tenha unidades com perfis definidos para cada etapa da execução da pena, e seja compatível com o perfil do indivíduo apenado.
O trabalho deve se iniciar logo que o interno chega à prisão, para que se possa trabalhar com a perspectiva de transformação desse indivíduo, e só um processo pedagógico contínuo faz com que o preso reformule suas idéias e busque novas alternativas para sua vida.
Se faz necessário investir no trabalho e na educação nas unidades prisionais de forma urgente; só o envolvimento desse jovem com as atividades educacionais, culturais e laborativas, pode oferecer parâmetros reais para obtenção de benefícios e uma perspectiva diferente da reincidência.
Envolver as unidades em um trabalho educacional contínuo, é minimizar conflitos, é possibilitar o acesso a poderosos instrumentos de cidadania; o trabalho, a informação, o conhecimento.
É importante envolver as Organizações Não-governamentais, as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, e outras instituições, nas atividades intra-muros; suas metas e avanços estarão refletidos não só nos relatórios de progresso, de impacto e em outras mensurações, mas acima de tudo se refletirá qualitativamente na mudança do indivíduo encarcerado e na sua possibilidade de voltar ao convívio social em condições e competir no mercado de trabalho.
As Universidades e outros Centros de Ensino devem ser envolvidos nessas ações, através da criação de um Banco de Horas Trans-disciplinar, para oferecimento de suporte técnico.
É preciso avançar, implementar em definitivo a Lei de Execução Penal, que responde com eficiência, as questões de execução da pena, e observando como diz J. Kaplan que “a sabedoria de uma lei deveria ser determinada em termos pragmáticos comparando-se os custos que impõe à sociedade, aos benefícios que traz”.

Namastê!

terça-feira, 21 de abril de 2009

"FORAGIDOS"


Chove...
Dia bom para um chá, uma sopa, um chamego; tudo que aqueça o coração, o corpo e a alma.
Que a chuva lave nossa vida e clarei nossos sonhos...
Para ler: poesias de "Reinaldo Luciano" e de "Daniela Furmankiewicz",
Para ouvir David Liebman...
Bom Feriado!!



AO SILÊNCIO
"Reinaldo Luciano"

"Não quero o silêncio culto e tácito
Das bocas caladas pelo medo;
Não quero ouvir os que choram
E os que lamentam em segredo...

Não quero minha voz embargada
Pela pressão silenciosa
Da solidão que não diz nada
E da razão que se faz muda...

Eu quero o mundo em polvorosa;
Quero a canção, quero o sorriso...
Quero gritar, se for preciso...

Não quero o silêncio assim imposto
Como um tapa que arde no meu rosto!

Eu quero o silêncio sim, mas quero ainda
Poder falar tudo o que sinta;
Poder sentir tudo o que fale...
Eu quero decidir quando me cale!

Não quero a minha voz presa no peito
Enquanto o mundo grita ao meu redor!

Eu quero decidir; é meu direito
E não lutar por ele é omissão!
Silêncio! Não consigo ouvir direito!
Há um barulho estranho no meu peito
E não parece ser meu coração!"

**

O Tempo
"Daniela Furmankiewicz",

"Não sei definir o tempo.
Ele cai sobre a minha cama
mas usa máscaras.
Se disfarça de vento
mas é monotonia.
Usa roupas de sombras
mas é dia quente.
Tem um jeito de anjo
mas é solidão...
O tempo caminha pelo corredor
sem ter acordado.
É sonâmbulo de alma inquieta,
um grito abafado
em um salão vazio.
Tempo sádico que mata
todos os meus motivos,
deturpa as minhas vontades,
rabisca meus desejos e some.
Não sei definir o tempo.
Não sei se ele cura
ou se passa por cima.
Pode ser homem, mulher,
qualquer coisa.
O tempo que me sufoca,
o tempo que me abriga...
nasce / morre / renasce
Poema adormecido,
outro dia..."

Namastê!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"FORAGIDOS"


Mais um dia sob o sol!
Enquanto permaneço dando voltas para continuar contando a minha história, segue um pequeno texto de 2004.
Boa Leitura!

"Caminhos da Recondução"

"Vamos falar de políticas públicas para o Brasil, para brasileiros que tem uma Constituição que afirma a nossa condição de pertencer a um Estado democrático, pluralista e tendo como fundamento, entre outros, um que nós destacamos: a dignidade da pessoa humana."
Coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira.


Trabalhar com o resgate de presos, com a possibilidade da sua recomposição como cidadão e sua recondução ao convívio social, deve ser o objetivo primordial da execução da pena.
Muitos caminhos ainda teremos que percorrer, mais é preciso avançar rumo a mudanças estruturais, estabeler compromissos com o futuro, implementar ações transformadoras, fundamentais ao convívio no interior das prisões e no resultado comportamental do homem fora dela, devemos ultrapassar o conceito de "apartheid", e trabalhar o resgate e a recondução social de homens e mulheres presos.
De todo o processo Penal no Estado Democrático de Direito, a Execução Penal; ao meu ver, é um dos mais importantes objetivos a ser atingido; mais do que a punição, a execução penal é o começo da cura; é ela que pode e deve estabelecer metas de "nâo reincedência", através do ensino, e do trabalho: técnico, cultural, lúdico, esportivo, e tudo o que puder sinalizar para o preso a importância da sua cidadania e do seu papel como homem, como pai, como esposo, e como filho, durante o decorrer do cumprimento da pena.
Para tanto se faz urgente investimentos na capacitação de novos gestores da administração penitenciária, com um olhar mais técnico e menos punitivo, para que seja possível a implementação de novos métodos de trabalho, como estratégia permanente de segurança pública.
Investir continuamente na capacitação gerencial do corpo funcional e em atividades educacionais, laborativas e culturais intra-muros, mantém as Unidades Prisionais em patamares administráveis, fazendo com que os internos fiquem afastados de uma miríade de atividades dispersivas, negativas, ou que, não se entreguem a ociosidade forçada pela falta absoluta do que fazer; poucos trabalham, poucos estudam.
Esse investimento que na leitura estatal parece de pouca importância, deve ser visto como complemento de uma estratégia maior para o controle dos índices da reincidência.
Trabalhar com perspectivas diferenciadas entre Execução Penal e Segurança Pública, faz com que os índices de reincidência atinjam altos patamares, então é preciso perceber o nó e desatá-lo. Já que a Polícia prende e a Justiça estipula a pena, cabe às Unidades Prisionais oferecerem ferramentas possíveis para que o cidadão apenado, possa perceber seu valor, e descobrir-se necessário, não só para sua família, bem como para a sociedade da qual querendo ou não ele ainda faz parte.
Mais do que saber da importância de um trabalho de resgate comportamental, é necessário que o Estado implemente políticas públicas, capazes de transformar a forma arcaica de punição em um modelo formador de cidadãos.
Para garantia do Estado Democrático de Direito, se faz necessário investir na "plebe", no diferente, no oposto, no desviante; até porque se não é o nosso filho, é o filho de alguém, de algum cidadão brasileiro. É preciso diminuir as distâncias e trabalhar com a inclusão; estimular o cidadão infrator a perceber-se parte de um "todo" social e instrumentalizá-lo a exercitar essa cidadania.
O sistema Penienciário brasileiro é jovem, pobre e negro (e pardo) que é também negro; é preciso sinalizar com oportunidades para esses jovens, fazer com que possam ter escolhas diferentes, perceberem-se realmente participantes da malha social; esse é o único caminho que conduzirá a sociedade a conviver com um ínice menor de reincidência.
A Execução Penal, que academicamente é vista como apenas uma matéria do curso, devia ser uma cadeira fundamental no estudo do Direito Penal; é ela que responde satisfatóriamente ou não aos anseios sociais pacifistas; ou o homem sai da prisão em condições de retornar pacificamente a sua caminhada ou ele retorna mais virulento, com um poder maior de ferir a todos.
Hoje as prisões são "MBA" em criminalidade, capacitando com mestria o cidadão encarcerado, ampliando o seu raio de atuação e articulação, por isso, a segurança social depende não só do trabalho da segurança pública desenvolvido pelas polícias civil e miliar, mas também de um bom trabalho desenvolvido nas prisões.
"As estratégias de regulamentação punitiva da sociedade, como diz Alessandro Di Giorgi, contribuem, de modo determinante, para traçar os novos limites materiais e simbólocos da democracia, com efeito, tais estratégias definem novas formas de exclusão e consolidam novos critérios de seleção no acesso a cidadania."
As nossas prisões não devem ser "uma via ocidental do Gulag" (Christie, 1996), mas sim a última comporta do processo penal aonde a transformação comportamental do indivíduo é exercitada como estratégia saudável de convivência social.

Namastê!

sábado, 11 de abril de 2009

"FORAGIDOS"


Mulheres que Esperam...
A vida, a vez, a hora passar...
Mas que enquanto esperam se tornam alquimistas, malabaristas, para tocar a vida, criar os filhos, esperando a sua própria hora chegar.
Para ler, segue um texto de 2005.
Para todos, um belo Sabado de Aleluia!!

Família Carcerária - População Invisível

“Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela.
E oculta mão colora alguém em mim.”
Fernando Pessoa.


Sejam bem vindos ao mundo daqueles que mesmo sendo, não são!
Seres invisíveis, destituídos de certezas e buscando equilíbrio a cada parte da etapa cumprida, na tentativa de não submergir ao caos que é viver sem futuro.
Esse é um minúsculo retrato da família carcerária, que povoa as portas das unidades prisionais deste país; na sua maioria, mulheres.
Como caminhar nesse terreno pantanoso que é o mundo das prisões?
Como sobreviver a ela?
Como manter a auto-estima ante a negação contínua de respeito?
Como retornar a vida livre resguardando um mínimo de auto-estima?
São respostas que buscamos no nosso dia a dia, para nos mantermos vivas, para chegarmos ao porto seguro que é a reorganização familiar pós-martírio.
Não é uma escolha fácil caminhar ao lado dos que foram punidos, não é uma tarefa lúdica ser esposa, mãe, irmã de um cidadão preso; antes de tudo, o exercício contínuo de auto-estima é ferramenta primordial para manter-se o equilíbrio pessoal e familiar.
Caminhar, por escolha própria, por veredas que não são as suas e aceitar com carinho as futuras intempéries do tempo, é uma tarefa difícil e arriscada; é um grande enigma a ser resolvido.
Amar um cidadão preso é um exercício de doação, é ultrapassar a sua própria pessoa e eleger o outro como objetivo prioritário, é vivenciar a incondicionalidade.
Estar ao lado de alguém apartado do convívio social é abrir mão de sonhos possíveis, é se permitir aprender com os erros que não foram seus e investir continuamente na sinalização de que é possível se reescrever a própria história.
São mulheres que vivem o dia de hoje como se fosse o último, como se devessem absorver tudo em um só momento, por não saber como será a continuação do que está sendo vivenciado.
Mulheres arrimos de família, sustentáculos de famílias desmembradas, sinalizadoras de mudanças possíveis, buscando diariamente criar formas de ter uma vida minimamente normal.
A família do preso nunca é vista, não é percebida nas diferentes etapas punitivas aplicadas ao seu familiar.
Nessa perspectiva, nem a sociedade, nem o Judiciário, nem o Executivo ou mesmo o Legislativo percebem essa população invisível que permeia as prisões; é como se o preso fosse um ser unitário, destituído de laços familiares, como se ele não fizesse parte de algo maior do ele mesmo, que é a sociedade. Não se percebe na pena aplicada o desdobramento compulsório da mesma, sobre a família do apenado, não somos percebidas como parte da sociedade, pelo fato de estar ao lado de quem optou por caminhos negativos; só somos percebidas no contexto social quando negamos a nossa própria história, quando mentimos ou omitimos uma parte das nossas vidas.
No imaginário coletivo, a opção pelo que o difere da “normalidade” é sempre uma opção de caráter, o que é basicamente falacioso; existem vários porquês para tal opção e o amor é um deles.
As famílias vivem em um mundo dual, assumindo diferentes papéis, para conseguirem a aceitação social. Muitas mulheres alçadas subitamente, à condição de arrimo, na maioria das vezes escondem seus vínculos com a prisão para poderem conseguir ou manter um posto de trabalho; um exercício constante da mentira ou da omissão para que possam permanecer ativas e sustentarem seus filhos. Comumente perdem seus empregos quando os patrões descobrem seus parentescos; são vistas como cúmplices ou possíveis delinqüentes, algo cruelmente “Lombrosiano”, é como se tivéssemos características físicas que nos imputasse o descrédito como pena acessória, à pena que compulsoriamente pagamos, é como se possuíssemos uma lepra moral.
Quando ocupam cargos de chefia, seus companheiros presos são relegados ao limbo, pois para serem aceitas devem negar o amor que sente pelo diferente.
Crescer profissionalmente sendo familiar de um preso requer uma grande auto-estima, requer o abate de diversos “leões” diários, para continuar se percebendo possível, apesar do que pensam sobre nós.
Paulo Freire muito sabiamente diz que: “Nenhuma dicotomia é capaz de nos explicar. Não somos apenas o que adquirimos, nem tampouco o que herdamos. Estamos sendo a tensa relação entre o que herdamos e o que adquirimos.”
Quando não moram nos núcleos ou cinturões de pobreza do Estado; onde a comunidade às conhecem; muitas mulheres vivem no ‘penoso mundo da negação’; negam o que são para serem aceitas pelos vizinhos, conhecidos e colegas de escola e trabalho, transformam-se em personalidades duais. Quando saem para visitar o seu preso, acondicionam as sacolas de “sucatas” em bolsas de viagem para que os vizinhos não fiquem curiosos, sentem vergonha da história em que são participantes involuntárias; a pena não é nossa, mas é como se fosse tal o peso do julgamento que fazem de nós, é como se o nosso sentimento fosse criminoso e o amor que possuímos fosse vergonhoso por não sê-lo por alguém “normal”, e por isso devemos ser punidas diariamente por nossa “má escolha”.
Aos vizinhos muitas, são viúvas ou separadas; quando se dizem casadas, os maridos trabalham em outro Estado ou estão hospitalizados; ao ouvirem comentários cáusticos sobre presos e as prisões, sentem-se humilhadas, é como se elas mesmas fossem as criminosas. É difícil se ter duas vidas; ser-se e negar-se ao mesmo tempo; Fernando Pessoa confirma nossos sentimentos: “Vive do que nega e nega aquilo que vive”.
Os filhos aprendem desde cedo que o pai está no hospital e quando já entendem o peso da masmorra são orientados, na maioria das vezes, a também se auto-negarem. Dizem aos professores, vizinhos e colegas que seus pais estão viajando ou estão separados da mãe, e sentem com isso, desde pequenos, que não fazem parte da grande história de uma sociedade e sim , vivem obrigatoriamente, à margem do que são ou do que poderiam ser.
Muitas mulheres estudam, mas seus professores e colegas não as conhecem; delas, só vêem a face construída sobre a “vergonha imposta”, maquiagem usada para a aceitação social.
Muitas vivem em morros e favelas, convivendo diariamente com a violência no batente das suas portas, observando; na maioria das vezes acuadas; aos desdobramentos de uma guerra que não é sua. Mas, ao mesmo tempo a comunidade é o “local seguro” em que elas podem ser elas mesmas, onde não precisam fingir ou negar quem são e o que sentem; terreno conhecido, onde muitas possuem a mesma história de espera. Lá, são simplesmente comuns, lá são casadas com alguém; os filhos tem um pai, e esse pai tem nome e seus vizinhos sabem para onde vão aos finais de semana.
O caos as torna livres!
A ida à prisão é sempre precedida de ansiedade e na saída sempre um sentimento, de pesar e impotência nos acompanha. Vivenciamos o amor em doses homeopáticas, um pouco a cada semana, como tentei traduzir nessa poesia que fiz para meu companheiro preso:

“DOMINGOS”

Os domingos, mesmo com chuva, são ensolarados.
Os domingos são mágicos, saborosos, consistentes.
Os domingos são poéticos, são acolhedores, são definitivos.
Os domingos são abençoados, são alegres, trazem paz.
Os domingos são fundamentais, são agregadores, imperativos.
Os domingos elevam, harmonizam, transformam.
Os domingos preenchem, os domingos esperam, os domingos sorriem.
Os domingos são inteligentes, tem humor, odor, sabor.
Os domingos acalmam, acolhem, realizam.
Os domingos são pérolas, músicas, risos.
Os domingos são especiais, únicos, dignos.
Os domingos me curam, me salvam, me redimem.
Nos domingos, vejo você!

É uma missão difícil construir relações estáveis ou equilibradas em uma vida dividida, onde os papéis são trocados conforme o cenário da ópera a ser apresentada; construir bases sólidas nessas condições é um prêmio reservado a poucos.
Eric Hobsbawm em seu livro “Sobre História”, escreve uma frase que se encaixa perfeitamente no nosso sentimento; “o pior é que passamos a nos habituar ao desumano, aprendemos a tolerar o intolerável”.
A prisão faz com que tenhamos de conviver com o intolerável e nos adaptarmos a ele; a mulher se sente obrigada a negar seus sentimentos, eleger a viuvez ou a separação como desculpa plausível. Vivem entre a realidade da prisão e a imensa necessidade de aceitação social para não verem se repetir entre os seus filhos a mesma história dos pais.
A falta de sensibilidade dos diversos setores da sociedade em perceber a família como parte importante de um processo de recondução de seu preso ao convívio social, faz com que essa família ganhe a invisibilidade como herança perpétua. É como se ainda fossemos relegadas aos “porões negreiros”, acorrentadas; o corpo preso e o coração a voar.
Vôo abissal!
Nunca sabem ao certo como será o que as esperam, todo dia é um dia mais perto da liberdade, e é isso que as move; mulheres que esperam!
Mulheres empurradas para a marginalidade, pela cegueira coletiva que se abateu sobre a sociedade e só perdem a sua invisibilidade quando são pegas exercitando o “ilegal”.
As suas dores anteriores, sua fome, a fome dos seus filhos, sua falta de futuro, a sua impotência, a marginalidade como caminho certo; isso não foi visto.
São seres invisíveis aos olhos sociais, não são percebidas como parte do tecido que compõe a sociedade.
Algumas conseguem emergir do caos, apesar de deixarem no caminho, pedaços de si mesmas, buscando nas migalhas de solidariedade que lhes é dada o estímulo para recomporem suas histórias.
Mas somos agentes sensibilizadoras natas, vivemos negociando paciência com os nossos presos, face ao desrespeito oferecido, pelo Estado na execução das penas.
Somos invisíveis também aos olhos do Judiciário que, nem de longe percebe o peso da prisão sobre a família e a carga de culpa que nos é oferecida como pena complementar.
Tanto o poder Executivo quanto o Judiciário, não percebem que a família é um excelente agente de sensibilização para seu preso, é ela que na maioria das vezes consegue diminuir a “fervura” nas prisões, agindo como intermediadoras junto ao Estado, nas questões que afligem os seus familiares apenados.
A sociedade se torna cruel quando o seu desejo de vingança, atinge gerações sucessiva do preso, oferecendo aos seus filhos, netos a mesma marca indelével com a qual marcou seus pais e avós. Não podemos ser tatuadas com a marca da irrecuperabilidade por atos que não foram praticados por nós. É preciso avançar na construção de uma sociedade melhor, estabelecer pontes para que famílias inteiras possam ser incluídas no tecido social; é preciso que a sociedade, através das suas instituições e das diversas instâncias governamentais, estimule a construção de programas e redes de serviços para o enfrentamento das questões que atingem essa população. Se faz necessário um esforço coletivo para desenvolver um trabalho de inclusão dessas famílias na vida produtiva, fortalecer seus vínculos afetivos, estimular a auto-valorização através da criação de redes de serviços, tendo como atores estratégicos as instituições da sociedade civil e grupos governamentais, para o apoio e inclusão dessas famílias.
É preciso que o tema “A família do preso e a complusoriedade das penas sobre a mesma”, seja incluído nas pautas de discussões governamentais em todo os seus níveis, através dos órgãos ligados aos direitos humanos, na formação de redes de orientação e serviços para o resgate de uma parcela da população. Esse é um trabalho preventivo, precisamos oferecer à família do preso uma opção diferente do caminho marginal, estimulá-la a perceber-se como ferramenta fundamental para o resgate da sua história familiar.
A invisibilidade dessa população alcança todos setores da máquina estatal; desde a falta de percepção que as incluam, por exemplo, no espaço físico das unidades prisionais, que não são projetadas observando a população flutuante (a família), que acorrem às suas dependência quase todos os dias da semana, demonstrando que não fazemos parte sequer de um estudo apurado do poder Executivo sobre o uso do espaço físico das prisões, como se o preso fosse ficar incomunicável durante todo o cumprimento da sua pena; à falta de um programa de apoio familiar que promova, ainda intra-muros, e coordenado pelo Serviço Social das Secretarias de Administração Penitenciária nos Estados, reuniões de troca de experiências, fortalecendo os laços de amizade, criando uma rede de apoio e discussão sobre a realidade em que vivem e como serem o próprio veículo de mudança, entendendo assim, a sua co-responsabilidade no processo de recondução do seu preso.
É preciso que o corpo técnico das prisões, interaja com a família; é necessário a percepção de que o homem preso está apartado do convívio “doméstico” mas, possui uma família que o acompanha; mesmo de longe e em doses homeopáticas; nas visitas semanais e a interação desses atores seria um caminho saudável para a diminuição de conflitos intra-muros ou familiares.
É preciso provar que essas mulheres são geradoras de capital social, portanto, imperativo se faz uma proposta inclusiva, para que essa população se encontre, se entenda e se reconheça parte de um todo indivisível de forma a poderem transformar suas vidas e a vida da família a qual pertencem, pois as melhores soluções para os problemas dessa população invisível são aquelas em que as mulheres possam ser estimuladas a serem protagonista das próprias mudanças dentro de um processo de resgate familiar. É preciso que sejam estimuladas a se converterem em atores sociais responsáveis por gerar alternativas positivas para suas famílias. É necessário desenvolver atividades gregárias para que elas percebam que não estão sós e se reconheçam umas nas outras como pessoas possíveis de encontrarem soluções para as questões que as afligem.
Sabemos que muitas veredas há para se percorrer, temos que superar velhos conceitos, alterar paradigmas, estabelecer compromissos para mudanças estruturais, devemos transpor o conceito de “apartheid” e trabalhar a inclusão familiar.
Sem a percepção da família como um ator social importante, será difícil desenvolver um trabalho que promova uma diminuição da reincidência; é preciso que os órgãos da administração pública, ligados a esse tema : Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Justiça, Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Departamento Penitenciário Nacional -DEPEN, as Secretarias de Administração Penitenciária e de Direitos Humanos nos Estados, possam avançar além das fronteiras das pesquisas e discussões, para um trabalho efetivo de redução de índices de reincidência através da parceria com a família.
É necessário fazer um diagnóstico dessa população: quem são, onde moram, se trabalham, se tem filhos, do que vivem e como vivem, se estudam, tendo como objetivo, detectar, capacitar e incluir essas mulheres em programas de apoio familiar, como fome zero, de habitação, trabalho, educação, tendo como contra partida a formação de agentes sensibilizadores, que poderão passar a trabalhar na minimização de conflitos entre o Estado e o preso; é preciso estimular a formação de redes de apoio e serviços em parceria com as instituições da sociedade civil para capacitação e monitoramento desse público alvo.
É preciso estabelecer metas, e não apenas formas e fórmulas teóricas, mas estabelecer princípios que permitam buscar os elementos necessários às mudanças.
O compromisso com a reconstrução familiar é mais do que um trabalho preventivo contra a reincidência do preso ou da entrada do seu filho para o mundo marginal, mas o fortalecimento das bases familiares, é acima de tudo, uma estratégia eficaz de prevenção.
Somos mais de um milhão de mulheres que povoam as portas das unidades prisionais deste país, arrimos de família que lutam pela dignidade dos seus maridos e filhos, cidadãs brasileiras, pessoas possíveis e que precisam de apoio para, poderem se resgatar e resgatarem aos seus, mas a pena é extensiva a família e todos pagam conjuntamente.
É preciso acreditar no resgate do indivíduo, no fortalecimento dos laços afetivos, na possibilidade de mudanças qualitativas na relação do preso com o mundo através do melhor relacionamento da sua família com a sociedade; é preciso acreditar na capacidade do ser humano de escolher caminhos melhores.
“Por esse Brasil a fora, milhares de foragidos e presos formam um exército de marginalizados, condenados à violência e a humilhação que atinge também famílias e gerações sucessivas. Estigma: filho marginais, mulheres sem perspectiva”. William S. Lima.
É necessário ouvir a voz das prisões, é preciso ouvir as mulheres que esperam!
No novo milênio se faz necessário avançar, criar novas interfaces. Ouvir essa parcela da população não é compactuar com o que é desviante, e sim poder minimizar conflitos, reconhecer que todos são cidadãos brasileiros e possuidores de deveres e de direitos.
Nessa caminhada os meios de comunicação tem uma importância fundamental, pois são formadores de opinião e contribuem para a formação do pensamento crítico social, se faz necessário, portanto, que haja um trabalho de decodificação dessa população e um processo de esclarecimento da opinião pública sobre essas famílias e a importância profilática de um trabalho inclusivo. É preciso que essas mulheres, filhos, parentes, não sejam somente percebidos durante as rebeliões, quando os meios de comunicação os expõem nas portas das prisões, em estado de histeria por temerem o desdobramento violento de uma invasão pelos agentes de segurança.
É necessário que a mídia seja mais que um veículo de informação, e que possa usar o seu poder formador de opinião para decodificar e apresentar essa população a uma sociedade que não a conhece, fazendo com que surja uma percepção correta dessas famílias dentro de um contexto de cidadania; e que tenha o cuidado devido na forma de tratar essa população no conteúdo das suas matérias, para que não se confundam no conceito de família à cumplicidade e a marginalidade.
Só através desse apoio será possível fazer com que a sociedade veja que todos fazem parte da mesma história e a melhor forma de construí-la é perceber no “outro” o mesmo direito de ser cidadão e contribuir para a construção de uma sociedade mais harmônica.
Mas para tanto é preciso que haja mudanças na forma com que o Estado percebe essa população, é importante que os gestores públicos entendam que a família não é a extensão da “quadrilha” ou “cúmplices” nas ações isoladas, que seus filhos não precisam ter necessariamente o mesmo destino dos seus pais.
È tempo de avançar, criar uma nova forma de relacionamento do Estado com a sua população, enxergar esse enorme contingente de mulheres que esperam ser percebidas como parceiras co-responsáveis, na recondução do seu preso ao convívio com a sociedade.
É um tempo afirmativo, e fundamental é, ir além das velhas certezas, e fomentar novas reflexões, criar movimentos harmônicos de aproximação e percepção dessas famílias pelo restante da sociedade.
Mas, enquanto esperamos; nós mulheres invisíveis, continuaremos a depender de como amanhece as prisões para podermos tocar o nosso dia com o mínimo de esperança.
Mas, o amor nos conduz!

Namastê!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

"FORAGIDOS"


O dia amanhece, os primeiros raios de luz despontam por ente uma leve névoa, o sono não veio e vi a noite se ir, brincando de escrever para que o tempo passe depressa, que o amanhã chegue mais rápido, que a alegria chegue mais cedo.
Boa Páscoa!!

"ESPERANÇA, DOCE DELEITE"

Puro deleite ver-te sorrir,
Esperança querida,
Promessa bendita
Mudança de rumo,
Que pode surgir,
Numa noite,
Numa esquina,
Numa quebrada de rua,
Pode estar escondida,
Num canto qualquer,
A esperança, o novo, o encanto,
A alegria colocada num canto,
Volta a ficar de pé.

Puro deleite voltar a sonhar,
Andar,
Pensar,
Sorrir,
Falar,
E continuar a acreditar,
Na novidade,
Na liberdade,
Na possibilidade,
De andar sem rumo,
De ver-me no mundo,
De encontrar-me comigo,
Rever os amigos,
Poder renovar,
A paz,
A harmonia ora hesitante,
Que ainda persiste,
Em fazer-se constante,
No meu peito confuso,
E bipolar.

Puro deleite poder percorrer,
Caminhos não percorridos,
Ainda não caminhados,
Mas agora escolhidos,
Sem medo,
Sem hora,
Sem tempo,
Sem o peso,
Da dor do degredo,
Que nos prende,
E nos deixa prostrados,
Mas continuo querendo,
Sem medo de errar,
E por puro deleite,
Ver o tempo,
Sentir o vento,
E simplesmente andar...
Sem runo certo,
Navegar em mar aberto,
Voltar a viver e a amar.

Namastê!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

"FORAGIDOS"


De onde estou vejo flores, coloridas, multicores e a brisa me faz um carinho; aqui dentro de mim uma alegria acanhada, quase calada, mas que tende a mudar, me diz que está chegando a hora de arrumar os armários, de dobrar os lencóis e partir para vida.

"Algo em Mim"

Algo em mim pulsa,
Como um grito mudo numa noite escura.
Pulsa com cuidado,
Cativo, quase calado sob a noite sem luar.

Algo em mim se move,
Com cuidado, como um pulso,
Que pulsa lento e bate desatento,
Dentro do meu corpo imóvel.

Algo em mim espera,
Como quem conta os minutos,
Como quem observa de longe,
O tempo passar da janela.

Algo em mim me entedia,
Como o um já vi e já sei,
Como o mesmo e o sempre,
Caminhos por onde passei.

Algo em mim se expande,
Como perfume, o aroma, o olor,
Como um coração se abrindo,
Em graça, ternura; em flôr.

Algo em mim me alimenta,
E mesmo na loucura da vida,
Na caminhada louca e sofrida,
O amor é cura e alento.

Algo em mim acredita,
Mesmo a contragosto,
Mesmo na vida aflita,
Mesmo no fundo do poço,

Que a alegria virá,
E iluminará,
A casa,
Os cantos,
Os móveis,
E tudo mais que a luz alcançar.

Namastê!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"FORAGIDOS"


Minh'alma vagueia sobre a vastidão do universo...
Observando milênios e eras...
Minh'alma percorre a imensidão do mundo,
Vendo a perenidade de esguelha.
Minh'alma acredita, confia, tem fé...
No tempo, na liberdade, no amanhã...
E continuo a montar e a desmontar palavras...
Procurando uma certa sonoridade, uma estrura correta.
Sigo, cigarro aceso, noite alta, lua encoberta, céu sem estrelas...
Lembrando Florbela Spanca, finjo fazer versos, brinco com as palavras, enquanto no negrume celeste a lua luta entre pesadas nuvens para espiar o passar das horas.



"MINH'ALMA"

Minh'alma de sonhar-te perdeu-se na bruma do tempo,
Caminhou sem rumo entre rajadas de vento,
Encontrou os paredões da espera,
Vagou vazia em busca de alento.

Minh'alma de sonhar-te caminhou por vielas e becos,
Esbarrou em almas caidas, perdidas e em espiritos de luz,
Rompeu com a normalidade; mal sem remédio,
Confabulou com a dor, e com o fel do tédio.

Minh'alma de sonhar-te ri e chora,
Na rotina o coração anseia atento,
Enquanto o movimento da vida convida,
O agora é silêncio e recolhimento.
Minh'alma de sonhar-te ainda espera,
O milagre, a salvação , o livramento.

Minh'alma de sonhar-te alçou vôu e foi...
Alcançou os astros e as estrêlas,
Arrastou-se também sobre o chão,
Viu-se altiva e pequena,
Miragem, devaneio, pura ilusão.

Minh'alma de sonhar-te percorreu montes e vales,
Desceu ruas, virou becos, subiu lajes,
E sonhando sonhar-te a minh'alma
Virou luz, virou poesia, virou arte.

Namastê!

quarta-feira, 25 de março de 2009

"FORAGIDOS"


Novos rumos se apresentam, novas possibilidades se anunciam...
Enquanto aqui no meu retiro, lendo, fumando, continuo esperando o tempo passar, acreditando no ser humano e no seu direito à felicidade.
As lembranças chegam e eu as digito em arquivo a parte, para que elas possam, somar-se a outras e começarem a ter forma, corpo...
Não é fácil lembrar...as vezes nos magoa, nos oprime, que dirá em tempos defíceis, onde o exercício da fé se faz, numa necessária constância mas, as histórias são feitas das dualidades dos sentimentos, das memórias nem sempre agradáveis mas, que nos traduzem e nos revelam.
De onde estou vejo o céu, estrelas me olham e eu desejo a liberdade como resposta.
E enquanto as memórias se colam, vou fingindo fazer poesia, vendo a vida passar...

"As Vezes"

As vezes penso em ti...
Quando a brisa invade o quarto com seu cheiro de mar,
Quando a lua impera prateada por sobre a cama.
As vezes penso em ti...
Quando as nuvens formam brancos flocos, algodão doce, sob o azul do céu.
Quando as estrelas cintilam, pequenos brilhantes em noite sem lua.
As vezes penso em ti...
Quando o sono não chega e a cabeça navega...
Quando a brisa marinha invade o quarto pela janela.
As vezes penso em ti...
Com alegria sincera,
Com saudade discreta,
Com ternura e respeito.
As vezes penso em ti...
Como lembrança agradável dos vinte,
Como confirmação das escolhas que fiz.
As vezes penso em ti...
Como experiência feliz,
Como aprendizado e amor.
Penso em ti...
Sem mágoa,
Sem culpa,
Sem pena.
Com saudade sincera,
Com respeito real,
Com carinhosa amizade.
As vezes penso em ti...
E quando penso, me alegro,
E quando me alegro, me lembro...
Do carinho, da esperança, da juventude.

Namantê!

segunda-feira, 23 de março de 2009

"FORAGIDOS"


Mais um texto dos tempos de ongueira...
"Reinserção Social" é um termo técnico, não concordo com ele, pois a maioria dos que estão nas unidades prisionais deste país nunca foram inseridos no contexto social, nunca participaram do processo produtivo, nunca foram visto realmente como cidadãos, não há como "reinserir" quem nunca esteve inserido.

"O Papel da família na 'reinserção' do cidadão preso"

“A construção social da desigualdade é ditada por alguns fatores: símbolos, leis, normas, valores, instituições e subjetividade."
(Vera Vieira)


Desde a pré-história, quando se organizou em grupos, o homem sentiu a necessidade de estabelecer regras de convívio, ou seja, limites, a fim de conviver com seus semelhantes. Acreditamos que o comportamento esteja intimamente ligado às crenças que cada sujeito formou ao longo da vida, determinando sua atitude e seu comportamento.

A sociedade, como um todo, também determina e é determinada pela forma como cada indivíduo interage com os outros.

Não podemos compreender a 'reinserção' social sem a premissa dessa interação. É necessário o movimento de aproximação e descodificação desses atores (o cidadão encarcerado, sua família, os operadores do direito e a sociedade), para podermos pensar em reinserir o homem e a mulher presos, em condições de garantir-lhes o mínimo de adaptabilidade ao convívio social; nesse processo, a família é o ator estratégico; é aquele que faz a ponte entre a sociedade e o/a preso/a.

“Homens e mulheres, somos corpos conscientes e sociais no mundo, na história, e com a história, que nos faz e refaz enquanto a fazemos. Porque nos achamos com o mundo e não só no mundo, como se fosse ele um puro suporte onde nossa vida se daria, nos fizemos históricos e nos tornamos capazes de inventar a existência, servindo-nos para tanto do que a vida nos ofereceu. É por isso que a nossa presença no mundo não se pode reduzir à mera adaptação a ele.

Estar no mundo só vira “presença” nele quando o ser que está se sabe estando e, por isso, se torna hábil para aprender a interferir nele, a mudálo, a se tornar, portanto, capaz de acrescentar à posição de objeto, enquanto no mundo, a de sujeito.

Estar no mundo e com o mundo como corpos conscientes, existentes, histórico-sociais implica a assunção, por nossa parte, da inteireza de que vimos sendo.” (Paulo Freire).

Precisamos perceber-nos no mundo como parte possível de interagir com o todo; não há resposta positiva sem a interação das partes.

O trabalho para a 'reintegração' social do/a preso/a só começará a dar resultados significativos e que altere as estatísticas de reincidência quando o Estado e os operadores do direito perceberem o familiar como parte do processo de reinserção.

A família é um componente precioso para o resgate de princípios básicos de convivência, ética e moral. Por isso, torna-se parceira essencial em qualquer trabalho em que a volta ao convívio social se faça presente. É estranho que até hoje os operadores do Direito não percebam a família como suporte de um trabalho de sensibilização.

Ela aparece em audiências com os juízes mais para ouvir do que para opinar. Não se percebe a família como contribuinte ativa para a produção científica, a não ser como público-alvo, e nunca como um ator importante na implantação do objetivo real e legal da execução da pena, que é a 'reinserção' de forma positiva e produtiva do cidadão/ cidadã presos.

Não se tem notícia do desempenho da família como parceira do Judiciário/Executivo no balizamento de ações que gerem uma resposta positiva para a reincidência, por meio de ações pensadas e coordenadas, tendo a família como ponto central a ser trabalhado como sustentáculo para a volta dos cidadãos encarcerados.

Na formulação de políticas, é fundamental qualificar a participação desses atores com os quais se trabalha. Devemos ampliar as noções, de direito e cidadania, para muito além do que tradicionalmente é conquistado. Temos que observar as necessidades básicas dessa família, fazendo-a acessar uma renda mínima e conseqüentemente a segurança alimentar para, então, pensarmos em reintegrar alguém.

O cidadão preso não é um ser isolado em si mesmo, não é um morador desgarrado de Marte. Por isso, pensar a volta desse indivíduo sem a devida preparação preliminar e um trabalho consistente de recuperação de toda a família faz com que o fantasma da reincidência seja uma constante.

A contribuição da família é de extrema importância e pode dar-se de várias formas: a partir da capacitação como forma de acessar novos conhecimentos e usá-los em palestras de sensibilização, atuar como agente multiplicadora de informações sobre cidadania, saúde, valores morais e éticos etc. Monitorar em parceria com o Estado atividades do cumprimento das penas alternativas, contribuir para a mudança de algumas políticas públicas através da sua experimentação, detectar e agregar familiares com nível médio e superior aos projetos desenvolvidos para presos, capacitá-los para utilizar mecanismos lúdicos e culturais para a sensibilização dos seus familiares jovens.

As relações não podem se balizar no binômio “Vigiar e Punir”, como diz Foucault. A família deve ser vista não por meio dos estereótipos lombrosianos e sim como um interlocutor confiável, tendo um papel intransferível, que é o de agente ressocializador e deve ser co-partícipe e co-responsável na reinserção social do seu preso; já que cumprem pena compulsoriamente, devem ser também tratados de forma a poder receber o seu familiar e participar das atividades e capacitações pré-reinserção que deveriam ser implantadas nas unidades prisionais como um conjunto de oficinas profissionalizantes, artesanais, lúdicas como forma de preparo para a volta ao convívio social.

Envolver a família em um trabalho de resgate pontual (o do seu familiar preso) tem na realidade um objetivo muito mais abrangente e profundo do que única e exclusivamente a preparação para a volta do seu familiar. Acima de tudo, tal atitude traz a família para o centro das discussões como mais uma possível parceira, trabalha a sua auto-estima, agrega valor ao trabalho sofrível feito nos Estados e oferece sustentáculo estrutural para futuras relações dessa família, que, a partir dessa visão inclusiva, passará a se perceber cidadã.

Os operadores do Direito, o Ministério da Justiça, o Departamento Penitenciário Nacional – DEPEN, não podem continuar a ver a família como um apêndice da questão. Deve ser compreendida a sua especificidade como parceira na rede social de apoio, e como um dos atores fundamentais para a reintegração; ela deve ser capacitada para cumprir o seu papel de veículo de sensibilização do seu familiar, percebendo-se cidadãos/ cidadãs com condições de interferirem nas políticas públicas e exercerem o seu papel de atores/parceiros do Poder Judiciário e do Poder Executivo na co-responsabilidade da execução da pena na sua fase pré-reinserção e na inserção.

Ainda não se tem um projeto-piloto que capacite essa população. Ainda somos entendidos como atores de menor importância, e não somos vistos como parceiros confiáveis para a implementação de ações e/ou discussões sobre políticas publicas inclusivas.

Faz-se necessário usar o princípio da razoabilidade para entender o papel a ser desempenhado pela família em parceria com o Estado, para o resgate não só do indivíduo, mas de milhares de famílias, de uma geração.

Detectar, capacitar e incluir essa família na vida produtiva da sociedade são atitudes de suma importância na volta do cidadão/ã preso/a.

O trabalho de reconstrução é o mais difícil. Requer cuidado, paciência e disciplina. É necessário desarmar os espíritos e aguçar os ouvidos de todos os atores para que se percebam e se escutem, objetivando um trabalho conjunto para minimizar os efeitos das ações não-inclusivas que o Estado oferece no decorrer do cumprimento da pena; que por não ter o caráter educativo, fomenta o ódio, afastando o indivíduo do convívio social produtivo, fazendo-o voltar a reincidir nas ações negativas.

A família não deve ser vista como uma mera vítima estática da aplicabilidade da Lei que a pune compulsoriamente; ela deve ser percebida como peça-chave para o trabalho de diminuição da reincidência.

Não perceber a família no contexto da vida desses homens e mulheres presos, é não investir na possibilidade de resgate, na diminuição da reincidência, no retorno da violência a níveis aceitáveis. Sabemos que as prisões são linhas de produção ativas de aperfeiçoamento da marginalidade, por isso é urgente a inclusão da família no contexto da reinserção social como parceira agregadora de conhecimento empírico, na construção de uma via para um diálogo sobre a responsabilidade de todos os atores envolvidos no processo de reinserção do cidadão/ ã presos. Tendo todos os atores (sociedade, operadores do direito, o executivo e o familiar), a possibilidade de, conjuntamente, construírem um projeto viável de reinserção para o preso (pré-inserção) e o egresso (inserção social).

A família precisa ser vista como peça estratégica na sensibilização do seu familiar, precisa ser capacitada para ser um agente ressocializador; precisa descobrir que a sua participação é de fundamental importância para a modificação qualitativa do seu familiar.

É necessário que se pense em programas federais, estaduais e municipais que proponham o apadrinhamento por um determinado período de famílias de presos pobres, por meio do acesso a programas já existentes, tais como vale-gás, cestas básicas, bolsa-escola e um trabalho efetivo do serviço social do sistema penitenciário na orientação da família à obtenção do benefício do auxílio reclusão.

É necessário que esses benefícios venham acoplados a atividades (cursos de qualificação profissional, de aperfeiçoamento, de gestão de microempresas e cooperativas), com o objetivo de inserir esses atores (o preso e a sua família) no mercado de trabalho.

É necessária a sensibilização da iniciativa privada para a importância do trabalho preventivo, através da absorção da força de trabalho do egresso, além do estímulo ao mercado por meio de incentivos fiscais a empresas que absorvam em seus quadros egressos e empresas que instalem oficinas laborativas nas unidades prisionais.

É necessário que as Universidades possam participar desse esforço conjunto através de seus professores e estagiários na criação de um Banco de Horas Multidisciplinar, para o acompanhamento e suporte na reintegração social do preso e sua família.

É necessária a participação da sociedade civil organizada por meio das suas instituições representativas – Organizações Não- Governamentais (ONG’s), grupos de apoio, Igreja, Fundações... – no acompanhamento técnico de atividades de pré-reinserção, nas unidades prisionais e no monitoramento das famílias e do egresso nas atividades previstas em parceria com o Poder Judiciário e o Executivo.

Algo importante nas ações, em relação ao Estado e às políticas públicas, é que precisamos inicialmente ter a capacidade de reconhecer quais os espaços estratégicos de ocupação.

É extremamente necessário que os operadores do Direito estimulem a inclusão da família no processo de reinserção do seu preso, e que a avaliação do grau de envolvimento da família gere relatórios que facilitem a obtenção de benefícios.

Mais do que nunca, face ao agravamento das relações interpessoais na sociedade como um todo e em especial entre as classes mais desfavorecidas, é preciso um esforço conjunto no trabalho preventivo, humano e comprometido não só com o resgate do indivíduo, mas também, como uma ação estratégica de segurança pública.

A sociedade sempre pensa em mais repressão quando se trata de políticas de segurança.

Precisamos avançar e construir uma interface com o diferente, neutralizar ações negativas por meio de ações solidárias, reconstruir o conceito de solidariedade cidadã respeitando as diferenças e estimulando as iniciativas que conduzam ao crescimento qualitativo do cidadão preso e da sua família.

Namastê!

sábado, 21 de março de 2009

"FORAGIDOS"


www.400contra1.blogspot.com/

VIVA O CINEMA NACIONAL!!
VIVA A BOA MÚSICA BRASILEIRA!!
Viva tudo que nos faz sentir HUMANOS, nesse mundo muito louco!!!



Esse texto escrevi em 2004...tempos de militância...Saudade!!

Identidades em Construção

“A grandeza do homem é que é uma ponte e não um fim. (...)
O homem só existe para ser ultrapassado.”
NIETZSCHE, Assim falava Zaratustra


Temos uma população invisível se movendo nos subterrâneos sociais como um rio de larvas ardentes sem rumo, perdendo sua forma a cada curva e se refazendo ou se dividindo sem uma direção definida. Difícil é a caminhada em busca da cidadania; tortuoso é o caminho de volta ao convívio social; dolorosa é a desterritorialização do sujeito enquanto preso.

O trabalho de recondução e reeducação do homem preso não é um trabalho inócuo; é uma tarefa Dantesca oferecer possibilidades para o homem se reconstruir, mas a resposta final é libertadora.

Vivem sinuosamente buscando rumos e identidades, tentando como seres errantes se recompor a cada momento, sinalizando de forma constante que são seres possíveis.

Essa população invisível, que é o preso e a sua família, seres destituídos de identidade social positiva, vive à margem das grandes certezas, são vistos como refugo; quando são percebidos, mesmo invisíveis, no contexto social, vivem nas fronteiras da casualidade, da razão e do tempo, sujeitos de uma história sem final definido, em que o direito de volta à convivência social soa como uma ode ao mal.

São seres em busca de suas verdades, exorcizando os seus medos, refazendo-se todo dia, como fênix, para não se pulverizarem diante da não-aceitação dos seus semelhantes.

Somos todos seres duais, bons e maus, alegres e tristes, fortes e fracos, possíveis e impossíveis, carregamos em nós todos os males e todas as glórias.

O sistema carcerário pode ser um local de resgate interior, de encontros possíveis consigo, de descobertas de potencialidades, de reflexões profundas, de escolhas diferenciadas, de opções retilíneas, de novas possibilidades.

É necessário perceber essa população, que, a seu modo, pede socorro, pede urgência em se tornar possível; é necessário exercitar a tolerância e a percepção do bem em meio ao caos, para que possamos construir uma interface com o que não conhecemos, para que possamos avançar como seres solares, iluminados pela luz do reconhecimento das nossas fraquezas, das nossas negações, dos nossos medos, fazendo-nos pequenos, para que possamos renascer grandes.

Nós, familiares e presos, tanto quanto quaisquer brasileiros, raízes matriciais deste país, queremos contribuir para a construção de uma nova história.

Nômades, desenraizados e desterritorializados, buscamos, contra a correnteza, alcançar novas possibilidades sociais. Queremos ser desmistificados, descodificados, revelar-nos, não queremos nos cristalizar como seres excluídos e marginalizados pelo sistema, queremos sensibilizar os incrédulos, queremos firmar parcerias e intersecções positivas, intercambiar conhecimentos.

Todos, presos e suas famílias, fazem parte do contexto histórico desta terra; todos contribuem, de sua forma, para construir uma identidade histórica e, por isso, precisam de ajuda para ser inteiros.

Nós, familiares e presos, vivemos andando de leve em areia movediça, buscando a cada passo a tranqüilidade devida para não afundarmos, para que não nos percamos de vez do caminho que nos reconduzirá ao respeito social.

Precisamos de ajuda, precisamos da não negação, precisamos de apoio, precisamos que a sociedade nos perceba como seres possíveis, que perceba que somos todos nós, mesmo sem querer, parte da mesma história.

***

Continuo dando voltas para dar tempo as idéias, para que elas se rearrumem e me permitam continuar contando a história de um amor improvável.

NAMASTÊ!

sexta-feira, 20 de março de 2009

"FORAGIDOS"



O tempo; esse 'sujeito' que nos rodeia, de forma contínua e inexorável; exibe-se agora para nós de forma agradável e sedutora, sinalizando a alegria possível, a esperança vindoura, o prazer de viver.
Então eu, ser cheio de idiossincrasias, poderei me recompor, me resgatar, me perceber inteira de novo, com possibilidades efetivas de sorrir, de esperar, de fazer as pazer comigo mesma.
E essa diferente cronometragem nos faz sentir um novo ar, uma brisa, uma carícia do tempo para nós, viajandantes calejados da espera.



Ele dorme... a noite começa a tomar corpo... o barulho dos carros diminuem... um bêbado canta enrrolado o que ele nem sabe o quê, um bebê chora ao longe...,os sons lá fora diminuem e o toque no teclado passa a ser uma sinfonia de tics, tics; na TV; nada, só informação vazia, para um público que, absorto olha hipnotizado para a caixinha encantada, que nos cospe as migalhas do que acontece no mundo.
Fumo...enquanto; esperando o sono chegar; vou lendo minha xará Simone Duarte, e ouvindo baixinho Anita Baker cantar...

Das noites

Na loucura da vida intensa,
Da paixão que vence,
Da noite em claro,
Dos beijos,
Dos abraços,
Dos momentos em que o céu parece tão próximo,
Das coisas todas que os amantes sentem,
Dos sentimentos tantos e todos,
E muitos e locos,
Dos medos,
Do preenchimento,
Do que vem,
De não saber o que vem,
Mas de seguir...
Querer sentir,
Querer viver o que é bom, o que encanta, estimula, excita,
O que vibra e reverbera durante o dia.
Do eco que fica,
Do corpo ainda úmido...
Da boca ainda molhada,
Da pele marcada,
Do perfume...
Do toque tatua a pele,
Da alegria,
Da bobagem dita,
Da gargalhada linda,
e freqüente... que observo,
Do gestual,
Do movimento,
Do olhar, dos sons,
Do silêncio,
Do ser...do estar...
Do querer...
Que não quero esquecer
São tantas coisas...
E tão intensas,
Como vício...
Tão boas e queridas e,... que me fazem feliz.

Simone Duarte


Namastê.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

FORAGIDOS



Mais um carnaval...
Luzes, batuque, suor, muito beijo na boca e uma leve sensação de fim de mundo.
Enquanto o mundo se desespera lá fora, aqui reina a espera, muita emoção contida, represada para hora devida... sempre foi assim, a alegria guardada para o momento oportuno...
Há muito esperamos o momento possível, para começarmos a viver, e esperando vimos o tempo se fazer e refazer, aguardando o nosso merecimento.
Lá fora um bloco de bêbados canta, na televisão o desfile quase sempre igual das escolas de samba; monótono...
No coração uma mistura de esperança e torpor...
E, enquanto o samba não vem, enquanto nosso bloco não passa, enquanto a alegria não chega, vamos torcendo para que mereçamos compartilhar da vida, que se esbalda lá fora.
Bom Carnaval!

Evoé!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

FORAGIDOS



Sade me transporta...
E me leva ao encontro do que continuo a esperar...



Continuo esperando...
O mar se levantar,
O vento dobrar-se,
A brisa fazer a curva,
A alegria virar a esquina,
O medo se ir,
A esperança chegar,
O tempo se esvair,
O milagre se fazer,
O amor renascer,
A mágoa partir.
Continuo esperando...
O vento,
O toque,
O brilho,
O tempo.
A esperança insinuada,
A alegria escancarada,
A vida para chegar.
Continuo esperando...
Acreditar,
Reconhecer,
Admitir e
Perdoar.
Continuo esperando...
Um traço de carinho,
Um aceno gentil,
Um colo,
Um afago da vida.
Continuo esperando...
O inesperado,
O mágico
O ludico,
O alquímico,
A surpresa.
E sempre continuando a esperar,
Me faço,
Me invento,
Me crio,
Aguardando tempos tranquilos,
Até que o milagre aconteça,
Em que a liberdade se instaure
E que a alegria restabeleça,
A vitória,
A unidade,
A família,
E a Fé.

A esperança e amor ainda me movem...apesar da espera!

Namastê!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

FORAGIDOS

21/01/09


Enquanto o Rappa canta a vida, eu falo da alegria da amizade!



C'a Fornelleti, Valeggio sul Mincio, Verona, Itália.

Saudade!!!

Saudade do Beppe, da Giulia, amigos queridos amados, irmãos, adorados que há muito não vejo, amigos de todas as horas, amigos que enchem nossa vida de alegria, pessoas de Deus, amigos de todos, de todas as partes do mundo.

C'a Fornelleti, Casa de Acolhida, lugar AMADO, que não sai do meu coração, lugar de alegria, de festa de trabalho comunitário, casa de portas abertas para o mundo abrigando artistas de todos os lugares, útero que acolhe, que protege, lugar de música de missa, de vinho , de comida gostosa, de trabalho voluntário, Casa de Voluntariado.

Saudade da Itália, saudade de Valeggio sul Mincio, saudade de Verona onde vi Aída na sua maravilhosa Arena, em uma noite poderosa de Agosto, noite de lua cheia e de ópera ao ar livre; fascinante.

Verona da Piazza Bra, do balcão de Julieta; também esfreguei os peitos dela para dar sorte; Verona com seus portais, sua tradição, seu cheiro de história e cultura, suas paredes que falam de tempos de glória romana, uma cidade linda e veccia.

Saudade dos amigos distantes, mas que estão perto; dentro do meu coração.

Giulia e Beppe amigos amados, vocês são seres especias que fazem de Ca' Fornelette o que ela é, o útero do voluntariado, casa de passagem, de troca e acolhida, tenho um orgulho enorme em ser amiga de vocês, de ter convivido com esse povo amoroso e sincero, que é a alma desse lugar.

Qualquer dia chego com minha trupe para ver os campos de Valeggio, os jardins de Ca'Fornelleti; ver a água subir e inundar o gramado e voltar ao seu curso como passe de mágica.

Qualquer dia vou chegar para ver o sorriso dos amigos e brindar com vinho de quintal e queijo parmegiano, a alegria de compartilhar amor e amizade.

Um Bacio.

Até outro dia!

Namastê.